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Prémio Nobel da Literatura 2008

O escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, de 68 anos, foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura 2008. O júri justificou a atribuição do prémio ao autor francês caracterizando-o como um “
escritor da ruptura, aventura poética e êxtase sensual, explorador de uma humanidade mais além e na base da civilização reinante”. Diz, não o júri mas quem leu, que foi a escolha “mais óbvia” entre os autores franceses.
Dos seis títulos editados em Portugal de Le Clézio apenas dois ainda não se terão esgotado: O Caçador de Tesouros e Diego e Frida.
quem é LE CLEZIO?
Jean-Marie Gustave Le Clézio (Nice, 13 de Abril de 1940), que assina J.M.G. Le Clézio, é um escritor franco-mauriciano[1].
Biografia
Jean-Marie Le Clézio é filho de Raoul Le Clézio, um cirurgião mauriciano, e de sua prima-irmã, Simone Le Clézio, francesa, ambos oriundos de uma família bretã que, no século XVIII, emigrou para a Ilha Maurício e adquiriu a cidadania britânica, após a anexação da ilha pelo Império. Ali era permitido aos colonos manterem as suas propriedades e o uso da língua francesa.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a família ficou separada, pois o pai estava impossibilitado de juntar-se à mãe e aos filhos, em Nice. Após a guerra, quando Jean-Marie tinha 8 anos, a família se reuniu novamente, na Nigéria, onde o pai servia como cirurgião do exército britânico.
Le Clézio estudou na Universidade de Bristol, concluiu seu curso de graduação em literatura francesa, no Institut d’Études Litteraires de Nice, passou vários anos entre Bristol e Londres, e, afinal, foi para os Estados Unidos onde se tornou professor.
Tornou-se famoso aos 23 anos, com seu primeiro romance, Le Procès-verbal ("O interrogatório"), que foi selecionado para o Prêmio Goncourt e obteve o Prêmio Renaudot, em 1963.
Desde então, publicou cerca de quarenta livros, incluindo contos, romances, ensaios, duas traduções sobre o tema da mitologia indígena americana, inúmeros comentários e prefácios, assim como algumas participações em obras coletivas.
Sua carreira de escritor pode ser dividida em dois grandes períodos. De 1963 a 1975, Le Clézio explorou temas como a loucura, a linguagem, a escrita, dedicando-se à experimentação formal na sequência de contemporâneos, tais como Georges Perec ou Michel Butor. A obra de Le Clézio foi muito elogiada por intelectuais como Michel Foucault e Gilles Deleuze.
No final dos anos 1970, o estilo do escritor sofre uma mudança drástica, quando ele abandona a experimentação e seus romances se tornam menos atormentados. Passa a abordar temas como infância, adolescência e viagens, tornando-se mais popular. Em 1980, Le Clézio foi o primeiro vencedor do recém-criado prêmio Paul Morand, adjudicado a Désert pela Academia Francesa.
Em 1994, um inquérito realizado pela revista francesa Lire mostrou que 13% dos leitores consideram-no o maior escritor francês da atualidade.
Le Clézio obteve o seu mestrado com uma tese sobre Henri Michaux na Universidade de Aix-en-Provence, em 1964, [3] e concluiu sua tese de doutorado em 1983, sobre a história do México, na Universidade de Perpignan. Ele é especialista em Michoacán.
Casado desde 1975 com Jémia, que é marroquina, tem duas filhas (uma do primeiro casamento). Desde 1990, vive entre Albuquerque, Maurícia e Nice [4], e continua a escrever.
“Je veux écrire une autre parole qui ne maudisse pas, qui n’exècre pas, qui ne vicie pas, qui ne propage pas la maladie.”
Bibliografia
Le Procès-verbal, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1963, 250 p. Prix Renaudot
Le Jour où Beaumont fit connaissance avec sa douleur, Mercure de France, L'écharpe d'Iris, Paris, 1964, [n.p.]
La Fièvre, nouvelles, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1965, 237 p.
Le Déluge, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1966, 288 p.
L'Extase matérielle, ensaio, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1967, 229 p.
Terra Amata, romance, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1967, 248 p.
Le Livre des fuites, romance, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1969, 290 p.
La Guerre, romance, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1970, 295 p.
Lullaby, Gallimard, 1970
Haï, Skira, « Les Sentiers de la création », Genève, 1971, 170 p.
Mydriase, illustrations de Vladimir Velickovic, Fata Morgana, Saint-Clément-la-Rivière, 1973
Éd. définitive, 1993, 62 p. ISBN 2-85194-071-6
Les Géants, romance, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1973, 320 p.
Voyages de l'autre côté, nouvelles, Gallimard, « Le Chemin » , Paris, 1975, 308 p.
Les Prophéties du Chilam Balam, version et présentation de J.M.G. Le Clézio, Gallimard, « Le Chemin », Paris, 1976, 201 p.
Vers les icebergs, Éditions Fata Morgana, « Explorations », Montpellier, 1978, 52 p. (Contient le texte d’Iniji, par Henri Michaux)
Mondo et autres histoires, nouvelles, Gallimard, Paris, 1978, 278 p.
L'Inconnu sur la Terre, ensaio, Gallimard, « Le Chemin » , Paris, 1978, 325 p.
Voyage au pays des arbres, dessiné par Henri Galeron, Gallimard, « Enfantimages », Paris, 1978, 27 p.
Désert, Gallimard, « Le Chemin » , Paris, 1980, 410 p.
Trois Villes saintes, Gallimard, Paris, 1980, 81 p.
La Ronde et autres faits divers, nouvelles, Gallimard, « Le Chemin » , Paris, 1982, 235 p. ISBN 2-07-021395-1
Relation de Michoacan, version et présentation de J. M. G. Le Clézio, Gallimard, « Tradition », Paris, 1984, 315 p.-[10] p. de pl. ISBN 2-07-070042-9
Le Chercheur d'or, Gallimard, Paris, 1985, 332 p. ISBN 2-07-070247-2
Voyage à Rodrigues, Gallimard, « Le Chemin » , Paris, 1986
Le Rêve mexicain ou la pensée interrompue, Gallimard, « NRF Essais », Paris, 1988, 248 p. ISBN 2-07-071389-X
Printemps et autres saisons, Gallimard, « Le Chemin » , Paris, 1989, 203 p. ISBN 2-07-071364-4
Sirandanes, Seghers, 1990, 93 p. ISBN 2-232-10327-7
Onitsha : romance, Gallimard, Paris, 1991, 250 p. ISBN 2-07-072230-9
Étoile errante, Gallimard, Paris, 1992, 339 p. ISBN 2-07-072650-9
Pawana, Gallimard, Paris, 1992, 54 p. ISBN 2-07-072806-4
Diego et Frida, Stock, « Échanges », Paris, 1993, 237 p.-[12] p. de pl. ISBN 2-234-02617-2
La Quarantaine, romance, Gallimard, Paris, 1995, 464 p. ISBN 2-07-0743187
Poisson d'or, romance, Gallimard, 1997, 255 p.
Gens des nuages
La Fête chantée, ensaios, Gallimard, « Le Promeneur », 1997, 256 p.
Hasard (suivi d'Angoli Mala), romances, Gallimard, Paris, 1999, 290 p. ISBN 2-07-075537-1
Cœur Brûle et autres romances, Gallimard, Paris, 2000, 187 p. ISBN 2-07-075980-6
Révolutions, romance, Gallimard, Paris, 2003, 554 p. ISBN 2-07-076853-8
L'Africain, Mercure de France, « Traits et portraits », Paris, 2004, 103 p. ISBN 2-7152-2470-2
Ourania, romance, Gallimard, « Collection Blanche », Paris, 2005, 297 p. ISBN 2-07-077703-0
Raga : approche du continent invisible, Éditions du Seuil, « Peuples de l'eau », Paris, 2006, 135 p. ISBN 2-02-089909-4
Ballaciner, ensaio, Gallimard, 2007 ISBN 978-2070784844
Ritournelle de la faim, romance, Gallimard, « Collection Blanche », Paris, 2008
Livros publicados em português
O Africano. Cosac Naify, 2007.
O Peixe Dourado. Companhia das Letras, 2001.
A Quarentena. Companhia das Letras, 1997.
Deserto. Dom Quixote
Estrela Errante Dom Quixote
O Processo de Adão Pollo. Europa-América.
Diego & Frida. Relógio d’Água).
Índio Branco. Fenda.
O Caçador de Tesouros. Assírio & Alvim.
Lista dos Vencedores do Prêmio Nobel de Literatura2007 - Doris Lessing
2006 - Orhan Pamuk
2005 - Harold Pinter
2004 - Elfriede Jelinek
2003 - J. M. Coetzee
2002 - Imre Kertész
2001 - V. S. Naipaul
2000 - Gao Xingjian
1999 - Günter Grass
1998 - José Saramago
1997 - Dario Fo
1996 - Wislawa Szymborska
1995 - Seamus Heaney
1994 - Kenzaburo Oe
1993 - Toni Morrison
1992 - Derek Walcott
1991 - Nadine Gordimer
1990 - Octavio Paz
1989 - Camilo José Cela
1988 - Naguib Mahfouz
1987 - Joseph Brodsky
1986 - Wole Soyinka
1985 - Claude Simon
1984 - Jaroslav Seifert
1983 - William Golding
1982 - Gabriel García Márquez
1981 - Elias Canetti
1980 - Czeslaw Milosz
1979 - Odysseus Elytis
1978 - Isaac Bashevis Singer
1977 - Vicente Aleixandre
1976 - Saul Bellow
1975 - Eugenio Montale
1974 - Eyvind Johnson, Harry Martinson
1973 - Patrick White
1972 - Heinrich Böll
1971 - Pablo Neruda
1970 - Alexandr Solzhenitsyn
1969 - Samuel Beckett
1968 - Yasunari Kawabata
1967 - Miguel Angel Asturias
1966 - Shmuel Agnon, Nelly Sachs
1965 - Mikhail Sholokhov
1964 - Jean-Paul Sartre
1963 - Giorgos Seferis
1962 - John Steinbeck
1961 - Ivo Andric
1960 - Saint-John Perse
1959 - Salvatore Quasimodo
1958 - Boris Pasternak
1957 - Albert Camus
1956 - Juan Ramón Jiménez
1955 - Halldór Laxness
1954 - Ernest Hemingway
1953 - Winston Churchill
1952 - François Mauriac
1951 - Pär Lagerkvist
1950 - Bertrand Russell
1949 - William Faulkner
1948 - T.S. Eliot
1947 - André Gide
1946 - Hermann Hesse
1945 - Gabriela Mistral
1944 - Johannes V. Jensen
1939 - Frans Eemil Sillanpää
1938 - Pearl Buck
1937 - Roger Martin du Gard
1936 - Eugene O'Neill
1934 - Luigi Pirandello
1933 - Ivan Bunin
1932 - John Galsworthy
1931 - Erik Axel Karlfeldt
1930 - Sinclair Lewis
1929 - Thomas Mann
1928 - Sigrid Undset
1927 - Henri Bergson
1926 - Grazia Deledda
1925 - George Bernard Shaw
1924 - Wladyslaw Reymont
1923 - William Butler Yeats
1922 - Jacinto Benavente
1921 - Anatole France
1920 - Knut Hamsun
1919 - Carl Spitteler
1917 - Karl Gjellerup, Henrik Pontoppidan
1916 - Verner von Heidenstam
1915 - Romain Rolland
1913 - Rabindranath Tagore
1912 - Gerhart Hauptmann
1911 - Maurice Maeterlinck
1910 - Paul Heyse
1909 - Selma Lagerlöf
1908 - Rudolf Eucken
1907 - Rudyard Kipling
1906 - Giosuè Carducci
1905 - Henryk Sienkiewicz
1904 - Frédéric Mistral, José Echegaray
1903 - Bjørnstjerne Bjørnson
1902 - Theodor Mommsen
1901 - Sully Prudhomme